Chapter 2 - Quebra cabeças

6 de fevereiro de 2011



Chapter 2 - Quebra cabeças

Estava montando um quebra cabeça e percebi quanta similaridade guardava com ele. Enquanto ele é formado por milhares de peças unidas por elos e cores especificas que na composição formam uma paisagem, eu sou um mosaico de historias que por um elo se uniram na concepção de um quebra cabeça complexo, multifacetado, que sou eu. Na paisagem o que une a água do mar mediterrâneo a areia da praia é um dêgrade de cores e curvas que se casam em pares, já na minha figura existe menos harmonia e mais arestas em cada peça, é como se os ângulos fornecessem a energia necessária para manter a ligação do todo. Às vezes no meu quebra cabeça se faz necessário uma quarta dimensão como o tempo, o amor, a vida para ligar peças tão distantes. No meu quebra cabeças tem peças que são pessoas, outras são historias, outras sentimentos, algumas são como um filme, umas são brancas, veladas por um véu que esconde, mas mostram suas cores ao se encaixar com a peça certa. Existem pessoas que são mais de uma peça, uma vez que a intensa reconstrução do ser cria diferenças a tal ponto que uma mesma pessoa possa ser dividida em varias peças para cada fase de sua vida. Tem peças que são imensas e outras tão pequenas que sua ausência passaria despercebido ou como uma imperfeição entre duas peças. Porém, essas peças tão singelas guardam em si o segredo que une peças maiores. A minha paisagem está em continua transformação. Entretanto, a praia, o sonho e o verde da sombra estão sempre presentes. A margem não é o fim, está a espera de novas peças que se encaixem. Tem peças que não se encaixam mais no quebra cabeça, desgastadas pelo tempo. Outras ficaram perdidas deixando no vazio uma saudade, uma lembrança. Busco uma peça que traga mais verde, mais intensidade, uma felicidade duradoura em um simples sorriso. Não quero completar meu quebra cabeças, quero ser a parte de um maior, quero sonhar com você o mesmo sonho.

Ricardo Monteiro da Rocha Franco Filho

Data: Esse texto foi escrito em Julho/Agosto de 2009 e concluido em fevereiro de 2011. Só recuperei em setembro de 2010 após a restauração da tabela de partição do meu HD.

Fotográfia e Arte : Ricardo Monteiro da Rocha Franco Filho

2 Reações:

O Lapso disse...

Eu que sou uma pessoa que adora fazer analogias, me senti dentro desse texto.

A foto, então, muito bem feita.
Sonhar alimenta nossa alma.

Ricardo Monteiro da rocha Franco Filho disse...

Meses depois de meses percebo que esse texto foi um dos melhores que já escrevi. Vou usar esse incentivo para publicar outros texto que já estão prontos.